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Dura realidade

Disparada do preço dos alimentos compromete sustento dos mais pobres: ‘Pedindo a Deus para sobreviver’

Desemprego, que já era grande antes da pandemia, e volta da inflação assombram os brasileiros

27/07/2021 08h49
Por: Ricardo Chaves

Por Itasat

A pandemia do novo coronavírus trouxe diversos problemas, entre eles a tão temida inflação, que nada mais é que o aumento no preço das coisas. A inflação acumulada ficou em 8,35% nos últimos 12 meses. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa é a maior para o acumulado em 12 meses desde setembro de 2016. 

No entanto, esse problema se torna gigantesco quando se olha para as classes mais pobres, que não buscam luxo e trabalham para colocar o básico dentro de casa. As últimas pesquisas do Site Mercado Mineiro, que analisa o preço de diversos produtos, escancaram a situação complicada.

O tradicional pãozinho de sal subiu 10%, o gás de cozinha chega a ser vendido por R$ 125, os preços da carne e de produtos básicos de supermercado também dispararam. Sem contar o valor do diesel que subiu, só neste ano, cerca de 40% e a da gasolina, que avançou 46%.

Com todos esses aumentos, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a cesta básica já custa mais de R$ 560 em Belo Horizonte. Com tudo tão caro, a Dona Neusa, de 62 anos, reclama que não tá fácil, mas faz o que pode. 

“Só não passo necessidade porque os filhos chegam com uma coisa, outro chega com outra. Mas, assim, na verdade está tudo caro. A gente vai ao supermercado com R$ 100 e não traz nada. Não compra uma carne direito, (tem) que trazer um ovo, uma linguiça para misturar. Não sei se é por causa do governo, não sei o que está acontecendo. Só sei que está tudo caro”, disse a idosa. “Come o que vai aparecendo. A gente está pedindo a Deus para sobreviver mesmo”, completou.  

Segundo o Dieese, para alimentar uma família de quatro pessoas, o salário deveria ser de cerca de R$ 5 mil, quase cinco vezes maior do que o mínimo pago atualmente. Então, quem quer ter um pouco mais de tranquilidade na hora de ir ao supermercado precisa trabalhar dia e noite, como conta o porteiro Edésio Moreira.

“Trabalhador é o seguinte: se ele não fizer uma coisa extra, ele passa fome. Tem que fazer uns biscates de pedreiro e de o que aparece. Tenho que trabalhar praticamente manhã, tarde e noite”, disse. 

Mas se você pensa que está difícil só para o empregado, está enganado. Os pequenos empresários estão sofrendo muito. De acordo com Célio de Lima, que tem um comércio no aglomerado Morro do Papagaio, na região Centro-Sul de BH, as vendas caíram e os clientes estão com dificuldade para pagar.  

“Para repassar o preço para o consumidor, ainda dentro de uma periferia, fica uma situação muito difícil. Está com uma dificuldade muito grande. Tem muita gente que deve e, às vezes, fica enrolando para pagar, mas a gente sabe que é a dificuldade que o pessoal está passando”, diz Lima. “A venda caiu bastante em relação a outras coisas. O pessoal procura só o básico mesmo”. 

Deixando o país 

Com a situação por aqui cada dia mais difícil, com pouco trabalho, salário baixo e produtos caros e inadimplência, o brasileiro volta a tentar a vida fora do país, mesmo com as inúmeras restrições à entrada em vários países por causa da pandemia.

Dados da Polícia Federal (PF) indicam que as fronteiras brasileiras registraram 131 mil movimentos de saída de brasileiros que não voltaram entre janeiro e maio deste ano. Isso é o que pretende fazer a manicure Andreia Pimenta. Ela conta que está sem perspectiva e prepara as malas. 

“Estou querendo ir embora do país. Estou sem esperança mesmo disso aqui melhorar. Tô tendo uma chance e estou querendo meter o pé. Estou querendo ir para Portugal tentar a vida lá, porque aqui pra mim já deu”. 

Por outro lado, muita gente ainda tem esperança de dias melhores no Brasil e enfrenta as dificuldades. É o caso do aposentado Márcio Lima. "Martinho da Vila, em 1964, falava assim: ‘a vida vai melhorar, a vida vai melhor’. Então, tenho esperança de que a vida vai melhorar para todos nós. É o que desejo para todos os brasileiros”, disse.