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Prejuízos

Prejuízo para o comércio do Brasil

“O Irã chegou a ser o maior importador de carne bovina do Brasil"

05/01/2020 10h02
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Brasília – As exportações brasileiras para o Irã poderão ser prejudicadas pelo nova crise no Oriente Médio, pois muito do que o país exporta para aquele destino segue por meio de outras nações do Golfo Pérsico ou da Ásia. A avaliação foi feita pelo especialista em relações internacionais Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil entre 2007 e 2011 e sócio da BMJ Consultores Associados.“O Irã chegou a ser o maior importador de carne bovina do Brasil, mas, por conta das sanções dos Estados Unidos, os produtos brasileiros não seguem diretamente para lá e acabam indo via algum país que não obedece às sanções norte-americanas”, destacou.
 
Havendo um endurecimento dos EUA em relação ao Irã, e uma vez ampliadas as sanções, o Brasil pode ser afetado, mas é difícil quantificar o impacto, de acordo com Barral. “Estamos falando de um mercado importante, de quase 80 milhões de pessoas que consomem produtos halal”, explicou.
Barral lembrou que o Brasil é o maior exportador global de carnes halal, que têm técnica de abate específica, monitorada, para ser consumida por muçulmanos. Contudo, os dados oficiais não mostram o verdadeiro volume comprado pelos iranianos. De acordo com dados do Ministério da Economia, o Irã é o 23º destino das exportações brasileiras, comprando pequena parcela dos US$ 224 bilhões comercializados pelo Brasil com o resto do mundo em 2019.
 
A balança comercial entre Brasil e Irã é favorável ao lado brasileiro, com saldo de US$ 2,2 bilhões entre janeiro e novembro do ano passado. Os embarques para o país persa registraram queda de 11,7%, para US$ US$ 2,25 bilhões no acumulado de 2019. Entre os principais produtos, estão milho e soja, que responderam por 44% e 26% do valor comercializado, respectivamente. As importações brasileiras do Irã somaram apenas US$ 39,9 milhões, predominantemente, de ureia, matéria-prima de fertilizantes.

Otan cautelosa

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), aliança militar dos EUA e países da Europa, suspendeu ontem as operações de treinamento das forças de segurança no Iraque após a morte do general iraniano Qassim Suleimani em ação dos EUA no país. A informação foi confirmada para a emissora catariana Al Jazeera. “A missão da Otan no país continua, mas as atividades de treino estão suspensas”, disse o porta-voz Dylan White em comunicado obtido pela emissora. Ele informou que o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenber, conversou por telefone com o secretário de Defesa norte-americano, Mark Esper, após a morte de Suleimani.