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Open banking: sistema que pode baratear o crédito já está valendo no Brasil

Cliente poderá compartilhar seus dados com várias instituições financeiras

13/08/2021 10h44
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Por Itasat

A partir desta sexta-feira (13), começa a valer no Brasil o “open banking”. Trata-se de um sistema de compartilhamento de dados entre bancos, a partir da permissão dos clientes.

Vaníria Ferrari, professora de economia da UNA, afirma que esse cadastro acessível trará benefícios para a população, como taxas mais baratas, já que haverá o aumento da concorrência. No entanto, afirma ainda que o sistema pode ser desafiador para os bancos.

“É desafiador porque o open banking vai permitir o compartilhamento de dados dos clientes e vai gerar maior concorrência, ou seja, todos os bancos terão acesso ao histórico do cliente, podendo assim oferecer produtos mais personalizados e com um custo menor. Antes, os clientes conseguiam taxas menores nos bancos em que eram correntistas, porque já existia um relacionamento entre o cliente e a instituição, minimizando assim o risco que é o balizador da taxa de juros. Com o open banking, diversos bancos terão acesso a esse histórico, gerando assim uma percepção melhor do risco do cliente, que conseguirá taxas melhores em ofertas de vários bancos”, explica.

A professora reforça, ainda, que esse compartilhamento só será feito com a permissão dos consumidores. “ O open banking é a oportunidade de compartilhamento de dados entre os bancos, mas a permissão do acesso a esses dados é somente permitida pelo cliente”.

CAUTELA

O professor Anderson Cavalcanti, do Departamento de Ciências Econômicas e do Centro de Desenvolvimento e Planejamento da UFMG, alerta que ainda é cedo para dizer que o open banking trará benefícios aos clientes, como a redução de taxas.

“Ainda é cedo para a gente saber se vai sim ter um efeito positivo para a população. Esses efeitos dependem da forma como o sistema bancário vai utilizar essas informações compartilhadas e se realmente nós teremos reduções de tarifas de taxas de juros por causa disso”, afirma. 

Um dos receios com a permissão do open banking é a perda da privacidade do consumidor que, caso permita, terá seus dados compartilhados com vários bancos. Mas o professor Anderson explica que essa não deve ser a maior preocupação, mas sim, a forma como as instituições serão reguladas e o que farão com as informações obtidas. 

“A situação precisa ser acompanhada por uma forte regulação do Banco Central, de como essas informações serão utilizadas. A preocupação é menor com questões de privacidade e sigilo, mas maior sobre como o Governo e o Banco Central vão ser capazes de controlar e administrar a forma como essas informações serão usadas”, disse.