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Preocupação

Zema diz que situação financeira de MG está ‘catastrófica’ e ‘trágica’

Segundo ele, a única forma de resolver o problema é a aprovação de reformas estruturais

30/04/2020 20h14Atualizado há 6 anos
Por: Redação

O governador Romeu Zema (Novo) utilizou os termos "catastrófica" e "trágica" para se referir à situação financeira de Minas Gerais neste momento. Ele também disse que "está sem dormir à noite" pensando na folha de pagamento do funcionalismo público de maio.

Nas palavras dele, "o que já estava difícil ficou muito mais grave agora, com o advento da pandemia".

Todas estas declarações foram dadas durante uma live organizada pelo Lide (Grupo de Líderes Empresariais), com presença de empresários, no início da tarde desta quinta-feira (30).

Zema repetiu uma projeção que já havia sido divulgada anteriormente, de que o déficit previsto para 2020 era de R$ 13 bilhões e agora será de R$ 20,5 bilhões. "É uma situação crítica, para não dizer catastrófica".

Segundo o governador, a pandemia fez a arrecadação referente a março cair 25%, sendo que a paralisação das atividades comerciais começou só por volta do dia 20 daquele mês. Já a arrecadação de abril deverá ter uma queda "vertiginosa", da ordem de 35%, nas palavras de Zema:

"No mês de maio vamos ter uma situação trágica, porque estamos esperando uma queda na arrecadação da ordem de 35%. Muito mais grave do que o que aconteceu neste mês, quando tivemos a felicidade de receber um valor extemporâneo de quase R$ 800 milhões. Em maio, não vamos chegar ao dia 15, porque já fizemos todas as projeções e, como a maioria de outros estados, vamos precisar contar com recursos federais. A queda da arrecadação de ICMS foi vertiginosa".

O governador disse que 15% dos funcionários públicos ainda não receberam o 13º de 2019. Ele não falou sobre se conseguirá pagar os salários dos servidores no mês de maio. Na live desta quinta-feira (30), o governador se limitou a dizer, a respeito da folha de pagamento, que está "sem dormir à noite", dando a entender que não tem como honrar o compromisso:

"Em maio a situação está muito pior. Me deixa sem dormir à noite, porque é muito grave você não saber como pagar os compromissos. Tudo o que era possível suspender de despesas nós já suspendemos. Já suspendemos qualquer tipo de gasto que não seja aquele para manter a folha de pagamento."

Reformas estruturais

Segundo ele, a única forma de resolver o problema é a aprovação de reformas estruturais – da Previdência e administrativa –, que ele disse que serão enviadas à Assembleia Legislativa "agora", sem especificar quando, exatamente. "Isso por si só não vai corrigir 100% dos problemas. Mas sem isso teremos um estado ingovernável", disse.

A palavra "ingovernável" foi citada duas vezes pelo governador ao longo da reunião.

Retomada econômica

Ele foi questionado sobre quais medidas estava pensando para ajudar o setor produtivo depois que a pandemia passar e se estava prevendo, por exemplo, flexibilização de impostos. E respondeu que cabe ao governo federal dar esse auxílio: "Nossa margem de manobra é muito limitada, num estado que não tem nem um centavo. Tenho visto o governo federal se movimentar para auxiliar as pessoas e as empresas. Cabe ao governo federal tomar essas ações, porque ele que tem condições de fazer política monetária, e não aos estados".

Ele destacou algumas medidas pensadas para pequenas e médias empresas: a prorrogação em 90 dias dos pagamentos para empresas optantes do Simples; a criação de linhas adicionais de crédito no BDMG e a renovação automática de alvarás e licenças ambientais, "para que ninguém precise recorrer à burocracia do estado".