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Doença misteriosa

Backer afirma que vai fazer testes para investigar se houve erro de produção na fábrica

Após interdição Backer fechada, somente testes

11/01/2020 08h38
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A Backer concedeu uma entrevista coletiva no início da noite desta sexta-feira sobre o laudo preliminar da Polícia Civil que apontou a substância tóxica dietileglicol em duas amostras da cerveja Belorizontina, produzida pela empresa. Há a suspeita de que dez pessoas tenham contraído uma síndrome nefroneural após consumir a bebida. Uma morreu e nove estão internadas.

A diretora de marketing da fábrica, Paula Lebes, ressaltou que a empresa está triste com o caso, principalmente pelas famílias de pessoas contaminadas. Ela disse que análises serão realizadas pela cervejaria para investigar se houve erro. “Convocamos parceiros, fornecedores de maquinários e equipamentos. Vamos fechar [a fábrica] neste sábado para fazer testes para tentar esclarecer fatos ao nosso cliente.”

Ela declarou que as cervejas do lote L1 1348 e L2 1348, averiguadas pela polícia, foram para Belo Horizonte, Região Metropolitana de BH, Brasília, Espírito Santo, São Paulo, Ouro Preto, Tiradentes e a região Centro-Oeste de Minas. Paula afirmou que, em momento algum, a Backer se negou a ser fiscalizada.

Antes da coletiva, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento afirmou, em nota, ter interditado a fábrica. O advogado da empresa, Estevão Nejm, contou desconhecer essa decisão. “Não fomos formalmente notificados.”

O defensor ponderou que a análise da Polícia Civil que apontou a presença da substância é preliminar, e não definitiva. “Supõe-se a existência desse agente químico sem contraprova, sem abertura do contraditório e ampla defesa e sem a confirmação, seja por um perito técnico responsável ou por um laboratório credenciado, da real existência desse agente químico na garrafa. No documento [da polícia] está expresso de que não se trata de um laudo pericial, ou seja, não existe prova de contaminação”, argumentou.

Ele reafirmou que o dietilenoglicol não faz parte do processo produtivo da empresa. “Várias diligências foram feitas na indústria e nenhuma autoridade identificou a presença desse agente químico.”

O mestre cervejeiro da Backer, Sandro Duarte, relatou desconhecer casos de eventual contaminação de cerveja com líquidos para refrigeração, como o dietilenoglicol. “Justamente porque é um líquido que corre na parte externa do tanque, não tem contato com o produto. A gente usa o monoetilenoglicol, que tem uma toxidade bem menor, mas é da mesma família”, declarou.

Exame

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) afirmou na tarde desta sexta-feira que os exames de sangue de três pacientes ficaram prontos e constataram a presença da substância.

Devolução

O superintendente do ministério em Minas, Marcílio de Souza Magalhães, disse que quem estiver com os lotes suspeitos deve entregar o produto para a investigação. “O consumidor não deve descartar esses produtos, pois, se estiver com alguma contaminação, certamente vai contaminar as águas ou o solo.”

A Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte receberá, a partir de segunda (13), unidades de qualquer lote da cerveja. A entrega deverá ser feita de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Confira os locais abaixo.

Conforme a PBH, a secretaria recolherá apenas as garrafas compradas para consumo próprio. “Não serão recebidos produtos de bares, restaurantes e supermercados. O material ficará sob custódia para encaminhamento das investigações necessárias”, diz. Os consumidores do interior podem levar a bebida para os Procons das próprias cidades.

A Backer também recolherá cervejas dos lotes que são investigados. O serviço, que será feito na própria casa do consumidor, pode ser agendado pelo telefone (31) 99536-4042. A empresa também afirmou que, caso o consumidor queira, poderá, a partir de segunda-feira (13), devolver Belorizontinas de outros lotes aos supermercados onde a comprou e ser ressarcido na hora, se levar a nota fiscal.

Endereços em as garrafas serão recolhidas pela Secretaria de Saúde:

Barreiro: av Olinto Meireles, 327 – Barreiro
Centro-Sul: av. Augusto de Lima, 30 - 14ª andar – Centro
Leste: rua Salinas, 1.447 – Santa Tereza
Nordeste: rua Queluzita, 45 – Bairro São Paulo
Noroeste: rua Peçanha, 144, 5º andar – Carlos Prates
Norte: rua Pastor Murilo Cassete, 85 – São Bernardo
Oeste: av. Silva Lobo, 1.280, 5º andar – Nova Granada
Pampulha: av. Antônio Carlos, 7.596 – São Luiz
Venda Nova: av. Vilarinho, 1.300 – 2º Piso – Parque São Pedro