A possibilidade de que o fornecedor da Backer tenha adulterado o monoetilenoglicol para o dietilenoglicol levantou algumas dúvidas sobre se outras cervejarias possam ter comprado a substância tóxica. O alerta é feito pelo professor de química do Cefet, campus Contagem, André Maurício de Oliveira.
De acordo com o especialista, é necessário que a investigação dos órgãos públicos certifique para quem o fornecedor vende o produto. A informação da alteração da substância foi divulgada com exclusividade pela rádio Itatiaia nessa quinta-feira (16), após apuração do repórter Eduardo Costa. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos no galpão da fornedora, no bairro Vila Paris, em Contagem. Um ex-empregado funcionário da empresa foi ouvido.
Até o momento, segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SES-MG), foram notificados 18 casos suspeitos por intoxicação da síndrome nefroneural, desses 4 foram confirmados e os 14 restantes continuam sob investigação.
Confira a entrevista com o químico:
Qual a diferença entre dietilenoglicol e monoetilnenoglicol?
O etilenoglicol e o dietilenoglicol podem ser usados como congelantes em processos industriais. Eles são álcoois e solúveis em água. Eles dispersam dentro de um organismo, porque nosso organismo contém muita água. Eles são usados no processo de resfriamento. A cerveja no processo de fermentação gera muito calor, e ela tem que ser resfriada para evitar a proliferação de micro-organismos. E uma serpentina que corre por fora do tanque contém esse líquido que vai tirando o calor do ambiente.
A Polícia Civil recebeu a denúncia de adulteração do monoetilenoglicol por dietilenoglicol. Contudo, a substância, no processo de produção, não teria contato com a cerveja. Como a contaminação pode ter acontecido?
Essa é uma possibilidade que tem que ser investigada a fundo pelos órgãos controladores, como o conselho regional de química e órgãos de polícia. Não é uma possibilidade difícil de ser verificada, porque existem métodos químicos para verificar os teores.
Acredito que é uma possibilidade muito pequena, mesmo que tenha acontecido essa contaminação, de que o produto que corre dentro de uma serpentina, usada no processo de resfriamento, tenha contato com o mosto que vai virar a cerveja ao fim do processo. A serpentina é feita de material resistente à corrosão.
Esse material pode, sim, em determinadas condições, sofrer uma corrosão agressiva que pode perfurar a serpentina, mas seria necessário uma perfuração no próprio tanque para que houvesse o contato entre o líquido que está correndo dentro da serpentina, seja ele monoetileno ou dietileno.
Outras cervejarias que compraram substâncias com a fornecedora devem ser investigadas?
Eu acho que é importante que o mesmo tipo de investigação que está sendo feito com a Belorizontina se estenda a outras marcas de cervejas e outros fabricantes, não só em Minas Gerais, como em outros estados, porque esses fornecedores de insumos para indústrias têm muitos clientes. Se houver, de fato, um problema na fonte, então é realmente interessante que haja essa verificação.
Fonte: Rede Itasat
