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Motoristas demonstram desconfiança com possível "desconto" nos combustíveis prometido pelo governo

Ministério da Economia estuda zerar imposto de importação do etanol, que poderia reduzir o preço da gasolina em até R$ 0,20

28/03/2022 10h01
Por: Redação

Por Itasat

O preço dos combustíveis está nas alturas e quem depende do veículo para trabalhar e resolver a vida, tem sentido o peso no bolso. O Ministério da Economia estuda reduzir o preço da gasolina em R$ 0,20, com retirada do imposto de importação do etanol até o final do ano. No entanto, motoristas e especialistas não veem com otimismo as promessas do governo federal.

O motorista Eugenes Sebastião está descrente com a medida. Para ele, uma redução pode antecipar uma elevação ainda mais brusca. "Se abaixar, o que eu duvido que vai acontecer, reduzirá 20 (centavos) e depois subirá 50 (centavos). É sempre assim", comenta.

Desconfiança

Já a taxista Merivânia Oliveira também não tem boas expectativas sobre o plano do Ministério da Economia. Ela não acredita que a medida reflita na bomba de combustível. "O preço só aumenta. Ontem o preço do etanol era de R$ 5,09 e hoje já está em R$ 5,39. Eu fiquei espantada, pois todo dia aumenta. Se realmente reduzirem será bom, mas só acredito vendo", desconfia.

O motociclista, Carlos da Silva, que trabalha na entrega de encomendas, questiona se os donos dos postos iriam repassar o desconto para o consumidor. Em defesa dos comerciantes, o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo do Estado de Minas Gerais (Minaspetro), Rafael Macedo, aponta que a alta dos preços não é boa para ninguém. "Os donos de postos sofrem tanto quanto o consumidor quando o combustível está caro. Isso impacta diretamente em queda de vendas e margens ainda mais apertadas", explica.

Macedo também acredita que a medida não gere impacto no preço final. "A medida do governo não deverá surtir efeito. Irá impactar na distribuição e não no varejo. Esta semana, as distribuidoras já repassaram o aumento do custo do etanol hidratado em 4% e 8% para o álcool anidro. É preciso aguardar para vermos como os demais elos da cadeia irão se movimentar para só assim vermos os impactos na bomba", analisa.

Cadeia de distribuição

O Professor de economia do Ibmec, Paulo Casaca, explica que a proposta pode ajudar, mas não resolve o drama dos motoristas. "Somos dependentes do preço internacional do petróleo. Se amanhã o preço do barril voltar a subir e se o real desvalorizar, a Petrobras irá reajustar o valor do combustível. No entanto, a medida ajuda a reduzir o custo etanol, mas não resolve o problema", observa.

Para que a redução seja efetiva, Casaca explica que toda a cadeia produtiva reduza os valores. Ele também destaca que seria necessário uma estabilidade da cotação do petróleo e também do câmbio por um tempo longo. "Não acredito nessa estabilidade do petróleo. A cotação está muito volátil, desde o início da guerra da Ucrânia. Tudo isso pode fazer com que essa medida seja anulada", completa.