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INFRAESTRUTURA

Minas concentra 80% das obras impactadas pelas chuvas, diz levantamento da Caixa

Dos 119 empreendimentos com recursos da União financiados pela Caixa, 95 estão em MG

16/02/2020 11h04
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São mais de 200 municípios em situação de emergência ou calamidade, mais de 50 mil pessoas desabrigadas ou desalojadas e 60 mortes desde o início de janeiro. Em Minas Gerais, o saldo das chuvas ainda inclui pelo menos 95 obras de infraestrutura, em 26 cidades, que correm o risco de parar, ficar mais caras ou, até mesmo, perder o sentido.

Segundo um levantamento da Caixa Econômica Federal, o Estado concentra 80% de todos os contratos que sofreram danos causados pelas chuvas nas obras em andamento. Essas intervenções recebem recursos de repasse da União e de financiamento do banco. “Incluindo o Rio de Janeiro e o Espírito Santo, são 119 empreendimentos impactados. Desse total, a maioria está em Minas”, afirma a vice-presidente de governo da Caixa, Tatiana Thomé.

O cálculo exato de quanto esses impactos vão custar só será feito quando a Caixa concluir o levantamento. Mas, para se ter uma ideia, os contratos com prejuízos identificados até agora, que precisarão passar por revisão, somam R$ 900 milhões. “Não significa que todo esse valor será revisto, porque nem todos os empreendimentos foram totalmente perdidos. Alguns, que já estavam quase prontos, terão que ser refeitos. Outros, como escoramento de uma encosta que deslizou, já até perdeu o sentido, pois será preciso fazer outra obra. Vai depender do quanto cada um foi danificado”, esclarece Tatiana.

A Caixa firmou parceria com o Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad), órgão vinculado ao Ministério de Desenvolvimento Regional (MDR). O objetivo é compartilhar informações do banco, como coordenadas geográficas das obras, registros fotográficos e apoio técnico de engenharia às prefeituras.

A previsão é terminar o diagnóstico até o início de março e repassar os dados ao governo federal. “Estamos com equipes técnicas fazendo avaliações em obras que ainda estão em andamento, como pontes, vias de acesso, abastecimento de água, hospitais e escolas. Tem alguns lugares, onde o acesso está mais difícil, que as equipes ainda nem conseguiram chegar. Portanto, o número de obras que vão precisar de revisão pode aumentar ainda mais”, ressalta. 

Em Belo Horizonte, um exemplo de impacto está nas obras de drenagem no ribeirão Pampulha, que liga a Vila São Tomás à Vila Aeroporto. Segundo a Caixa, 74% desse contrato, que ainda prevê outras intervenções para redução de risco geológico e implantação de rede de esgoto, já estava pronto. O valor da obra é de R$ 141 milhões, dos quais R$ 91 milhões são financiados pelo banco. “Também temos um grande dano nas cidades de Raposos e Capim Branco, onde projetos de pavimentação asfáltica foram fortemente atingidos”, destaca Tatiana.

Só para Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas, o MDR já anunciou R$ 892 milhões para recuperação, dinheiro que será liberado na medida em que as prefeituras apresentarem seus projetos, já com a previsão dos gastos. 
Entretanto, Tatiana esclarece que, no caso da revisão dos orçamentos para reparar os danos em obras atingidas pelas chuvas, a fonte de recursos será outra. “A Caixa só financia e acompanha, mas o dinheiro é do governo federal, que terá que arranjar novos recursos para fazer os ajustes necessários”, explica.

Reparação vai aquecer indústria

Em 228 municípios que decretaram situação de emergência ou calamidade em Minas, Espírito Santo e Rio de Janeiro, as obras de infraestrutura em andamento com financiamento da Caixa somam R$ 8,69 bilhões, sendo R$ 8,3 bilhões em cidades mineiras. O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Pesada do Estado (Sicepot-MG), Emir Cadar Filho, explica que a necessidade de reparação vai movimentar o setor.

“As prefeituras, com recursos do Estado e da União, terão que reconstruir não só os estragos causados (pelos temporais), mas também investir em obras preventivas. É impossível se preparar para o volume de chuvas que caiu no Estado, mas tem que se preparar para diminuir esses efeitos no futuro”, ressalta.

Vai ser preciso revisar alguns contratos

Que tipo de obras: projetos de infraestrutura, como pavimentação, drenagem, vias de acesso, pontes, hospitais e escolas.

Cidades onde estão as obras afetadas: Abre Campo, Almenara, Barão de Cocais, Belo Horizonte, Betim, Bom Jesus do Galho, Cataguases, Contagem, Coronel Fabriciano, Crucilândia, Diamantina, Espera Feliz, Governador Valadares, Iapu, Ibirité, Itacarambi, Luisburgo, Manhuaçu, Mário Campos, Matipó, Paraopeba, Raposos, Rio Manso, Sabará, São João do Manhuaçu e Caeté.