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Combustíveis

Gasolina 40,5% mais barata nas refinarias, em 2020, não chega às bombas

Preço do combustível nos postos caiu apenas 2,1%, na média nacional, e 2,4% em Minas. Previsão, agora, é de queda no custo com a pandemia do novo coronavírus

26/03/2020 13h26
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Após oito reduções do preço da gasolina nas refinarias anunciadas neste ano pela Petrobras, o motorista não vê a queda chegar às bombas nos postos de combustíveis. Para analistas do setor que observam a dificuldade de o benefício alcançar o bolso da população, só o encolhimento da demanda nos revendedores, como resultado do impacto do novo coronavírus sobre a economia, deverá baratear a gasolina no varejo nos próximos meses.
A Petrobras anunciou nessa quarta-feira (24), um corte de 15% no preço nas refinarias, o nono ajuste feito em 2020 para as distribuidoras. As reduções vem em um ano marcado por disputa de mercado entre países produtores de petróleo, e instabilidade nas bolsas de valores no mundo devido ao avanço da pandemia do coronavírus. Dessa sucessão de repasse, houve um aumento do preço. Com a última redução, a estatal estima que o preço caiu 40,5% no atacado desde o início do ano. Enquanto isso, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), entre janeiro e março o preço do litro do combustível nos postos do país caiu em média 2,1%.
 
Na pesquisa da semana de 12 a 18 de janeiro, a média nacional do preço era de R$ 4,586. No levantamento feito do dia 15 a 21 de março, o valor era R$ 4,486. Ou seja, a diferença foi de 10 centavos por litro em três meses. A tendência se confirmou em Minas Gerais e em boa parte das maiores cidades do estado. A comparação das pesquisas realizadas no meio de janeiro e em meados de março mostra queda de 2,4% no preço médio da gasolina nos postos mineiros.
 
No início do ano, a média do preço no estado saiu de R$ 4,815 por litro em janeiro para R$ 4,698 em março. Em Belo Horizonte, em três meses, a média de custos para o consumidor recuou 3,1%, de R$ 4,674 para R$ 4,525 o litro. Em Contagem, na Região Metropolitana de BH, a queda foi um pouco mais expressiva no período. Em janeiro, os postos da cidade cobravam, em média, R$ 4,72 o litro. Em março, passaram a cobrar R$ 4,536, baixa de 3,89%.
 
Betim, também na Região Metropolitana da capital, registrou retração de 1,2% em três meses. O litro da gasolina no município custava em média R$ 4,665 em janeiro e R$ 4,606 em março. No interior do estado, os preços nos postos também não refletem os sucessivos reajustes da Petrobras este ano.
 
Em Juiz de Fora, na Zona da Mata, a média de preço do litro da gasolina entre 12 e 18 de janeiro era de R$ 4,882. De 15 a 21 deste mês, desceu a R$ 4,853. Isso significa diferença de aproximadamente três centavos no bolso do consumidor, com variação de 0,59%. Por outro lado, em Uberlândia, no Triângulo, a variação em três meses foi de 5,1%. O preço médio do litro do combustível caiu de R$ 4,891 para R$ 4,64.
Estoques
De acordo com a ANP, os preços registrados na pesquisa da semana de 15 a 21 de março são os menores desde o fim de novembro de 2019, descontada a inflação. No entanto, nenhuma variação na média de preços nem sequer se aproxima do corte total de 40,5% feito pela Petrobras nas refinarias.
 
Na avaliação de analistas ouvidos pelo Estado de Minas, os reajustes da Petrobras demoram – ou nem chegam – a ser sentidos pelos consumidores na prática por causa da alta tributação e da perda ao longo da cadeia de distribuição de combustível. “O sistema de tributos no Brasil é injusto. Se a reforma tributária não for aprovada, vai ser sempre assim”, afirma o analista da corretora Mirae Asset, Pedro Galdi.
 
Já Feliciano Abreu, coordenador do site agregador de preços Mercado Mineiro, explica que a redução da Petrobras “vai se perdendo” ao longo da cadeia, que inclui, entre as refinarias e os postos, os distribuidores. Abreu acredita que a demanda reduzida por combustível, com as cidades vazias por causa da pandemia de coronavírus, vai obrigar os donos dos postos a demorar cada vez mais a renovar os estoques, que foram comprados com os preços antigos. Ou seja, os repasses são arrastados por mais tempo.
 
Contudo, mesmo sem os repasses, a previsão é de que os preços da gasolina caiam – ou pelo menos não subam – nos próximos meses. Pedro Galdi aponta que a própria baixa da procura provocada pela COVID-19 é o principal fator para isso. “A redução da demanda será muito forte e a competição vai forçar queda. Não consigo identificar de quanto, mas virá”, afirma o analista.