Por Itasat
Adotado para conter a disseminação do novo coronavírus (Sars-Cov-2) e evitar o colapso de sistemas de saúdes, o distanciamento social pode ser necessário, ainda que de maneira intercalada, até 2022. A estimativa é de um estudo divulgado em artigo nessa terça-feira (14) na revista Science por pesquisadores da Escola de Saúde Pública da Universidade Harvard, nos Estados Unidos.
Os cientistas buscaram avaliar, para os próximos cinco anos, quanto o novo coronavírus deverá persistir na população humana após o estágio inicial da pandemia. Uma resposta concreta, dizem, dependerá de sabermos exatamente quanto vai durar a imunidade humana depois da contaminação ou de tomar uma eventual vacina.
Para saber isso, serão necessários estudos sorológicos urgentes que determinem a extensão da imunidade da população, se ela diminui com o tempo e a que taxa. Essa vigilância epidemiológica, dizem, deve ser mantida nos próximos anos para antecipar a possibilidade de ressurgimento.
O grupo, liderado pelo epidemiologista Marc Lipsitch, elaborou vários cenários de transmissão da doença até 2025 usando estimativas de sazonalidade, imunidade e imunidade cruzada para outros coronavírus responsáveis por resfriados comuns, levando em caso dados de séries temporais dos EUA.
Eles projetam que surtos recorrentes do Sars-CoV-2 no inverno provavelmente ocorrerão após a onda pandêmica inicial mais grave, assim como ocorre com outros vírus respiratórios. Sem outras intervenções - principalmente uma vacina, um tratamento específico ou um aumento substancial da capacidade de cuidados intensivos (UTIs) -, a forma de evitar o colapso do sistema de saúde pode ser um distanciamento social prolongado ou intermitente até 2022.
Intervenções adicionais, incluindo capacidade ampliada de cuidados críticos e uma terapêutica eficaz, melhorariam o sucesso do distanciamento intermitente e acelerariam a aquisição da imunidade do rebanho", escrevem.
Eles dizem que os estudos sorológicos vão determinar a extensão e a duração da imunidade. "Mesmo no caso de eliminação aparente, a vigilância de Sars-CoV-2 deve ser mantida, pois um ressurgimento do contágio pode ser possível até 2024", escrevem.
Segundo os pesquisadores, a incidência total da doença nos próximos cinco anos dependerá criticamente de o coronavírus entrar ou não em uma circulação regular entre as pessoas, questão que está ligada à duração da imunidade. Para os resfriados comuns causados por outros coronavírus comuns entre humanos, a imunidade dura em geral um ano. Nas estimativas feitas no trabalho, os cientistas consideraram que a imunidade ao Sars-CoV-2 induzida pela infecção poderia durar pelo menos dois anos.
"O distanciamento altamente eficaz poderia reduzir a incidência de SarS-CoV-2 o suficiente para tornar factível uma estratégia baseada em rastreamento de contatos e quarentena, como na Coréia do Sul e Cingapura", escrevem.
Do contrário, esforços de distanciamento menos eficazes "podem resultar em uma epidemia prolongada de pico único, com a extensão da pressão sobre o sistema de saúde e a duração necessária do distanciamento, dependendo da eficácia".
Os pesquisadores ponderam que o distanciamento prolongado, mesmo que intermitente, "provavelmente terá consequências econômicas, sociais e educacionais profundamente negativas" e tentam não passar uma recomendação fechada.
"Não assumimos posição sobre a conveniência desses cenários, dado o ônus econômico que o distanciamento sustentado pode impor, mas observamos o ônus potencialmente catastrófico para o sistema de saúde previsto se o distanciamento for pouco eficaz e / ou não for sustentado por tempo suficiente", pontuam.
