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Caso Backer

Relatório final da Agricultura descarta evento isolado e confirma que Backer produzia cerveja contaminada desde 2019

O relatório ressalta que essas substâncias tóxicas não são produzidas pela levedura cervejeira

05/08/2020 05h08Atualizado há 6 anos
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Por Itasat

O Ministério da Agricultura divulgou nessa terça-feira (4), o relatório final sobre as ações fiscais realizadas na cervejaria Backer após detecção da presença de monoetilenoglicol e dietilenoglicol em cervejas produzidas pela marca. Segundo a pasta, o relatório confirma a ocorrência de contaminações desde 2019, o que descarta a possibilidade deste ser um evento isolado no histórico de produção da cervejaria. 

O relatório ressalta que essas substâncias tóxicas não são produzidas pela levedura cervejeira em condições normais de fabricação da bebida e que contaminações desse tipo não foram identificadas em outras cervejas nacionais e importadas.

A apuração indicou também que a Backer adotou "práticas irresponsáveis" ao utilizar líquidos refrigerantes tóxicos de forma deliberada em seu estabelecimento, em detrimento de alternativas atóxicas, como propilenoglicol e álcool etílico potável.

"A empresa também possui diversas falhas e lacunas em seus sistemas de controle e gestão internos, apresentando informações incompletas nos relatórios de produção e controles de rastreabilidade ineficientes", informou o relatório, acrescentando que "as contaminações por MEG e DEG não estão restritas a lotes que passaram pelo tanque JB 10, ocorrendo também em cervejas elaboradas anteriormente à instalação deste tanque na cervejaria".

A pasta citou ainda que a cervejaria seguirá interditada até que seja possível afirmar que não há riscos para a produção da bebida no local.

A cervejaria está fechada desde janeiro, por determinação do Ministério da Agricultura, e teve seus produtos recolhidos, tanto na empresa quanto no comércio de Minas Gerais, somando 79.481,34 mil litros de cerveja de várias marcas e diversos lotes, sendo 56.659  mil garrafas com riscos aos consumidores.

"No Espírito Santo, os resultados das análises indicaram 9.047 garrafas de cerveja contaminada retiradas dos mercados, totalizando 5.428,2 mil litros", diz a pasta.

O relatório apresenta os resultados das análises dos glicóis em cerca de 600 amostras de cervejas da Backer, indicando a presença das substâncias em 36 lotes produzidos ao longo de 2019 e 2020, em concentrações variadas.