Primeiro dia 25 de dezembro sem filho, marido, esposa, pais, sobrinhos, amigos. O Natal, 11 meses após o rompimento da barragem em Brumadinho, na Grande BH, foi de missa, revolta e muita tristeza. “Eu nunca pensei que no dia 25 eu estaria chorando por causa de um filho, nunca pensei de chorar por um deles, para mim muito triste esse dia de hoje”, esse é o relato de Malvina Nunes, mãe de Peterson Nunes, que trabalhava no almoxarifado da mineradora Vale.
Na manhã desta quarta-feira uma missa foi celebrada no Santuário de Nossa Senhora do Rosário. Em seguida, uma caminhada foi feita até a entrada da cidade para soltura de balões no letreiro de Brumadinho, simbolizando as vítimas do rompimento.
Além da saudade, a dor não passa para aqueles que perderam entes queridos na tragédia. “A semana inteira eu chorei, meu nariz feriu, minha boca feriu. Eu nunca pensei em ter um Natal tão triste assim, isso pra mim é uma cadeia e vou ficar presa pelo resto da vida, acabou Natal, acabou Ano Novo”, desabafa a mãe de Peterson.
Malvina ainda lamenta a impunidade. “A gente não entende até hoje porque o Ministério Público não denunciou a Vale porque eu quero ver eles na prisão. O meu filho está preso debaixo da terra, tem muitos presos debaixo da terra que nunca mais vão sair e eles estão aí soltos”.
Fernando Nunes, irmão de Peterson, cobrou justiça e diz que em 2020, quando o rompimento da barragem completa um ano, espera que os responsáveis sejam presos e que o estado também seja responsabilizado. “O governo tem que arcar também com as famílias que foram prejudicadas, tem que ter Justiça”.
A operação do corpo de bombeiros em busca das vítimas que permanecem desaparecidas continua neste 25 de dezembro. Até agora, 257 vítimas foram identificadas e outras 13 ainda estão desaparecidas.