O Sindicato das Indústrias de Cerveja e Bebidas de Minas Gerais (Sindibebidas) vai propor que o que o Ministério da Agricultura crie uma “normativa que proíba o uso de componentes que tenham alguma toxidade” na produção de cervejas. A informação foi passada à reportagem nesta terça-feira pelo vice-presidente da associação, Marcos Falconi.
Ele também pede que a indústria cervejeira seja obrigada a adotar um procedimento com “análises sensoriais constantes que avaliam todas as amostras de cerveja antes delas serem colocadas no mercado”.
Entre essas substâncias tóxicas descritas por Falconi, está o dietilenoglicol, que foi encontrado em garrafas de três lotes (L2 1354, L1 1348 e L2 1348) da cerveja Belorizontina, da Backer, e pode estar associado à síndrome nefroneural.
Conforme a Polícia Civil (PC), o produto também foi encontrado em um tanque que é utilizado no processo de resfriamento da cerveja.
Em coletiva nessa terça-feira, a diretora de marketing da Backer, Paula Lebbos, disse que os consumidores não devem beber a Belorizontina de nenhum lote. “Eu não sei o que está acontecendo. A Backer nunca comprou o dietilenoglicol.”
Segundo o médico legista Thalles Bittencourt, superintendente de polícia técnico-científica da Polícia Civil, as notas fiscais apresentadas pela empresa são de monoetilenoglicol, um galão foi periciado e confirmou essa substância.
No entanto, a amostra tirada do equipamento responsável pelo resfriamento da cerveja também apontou a presença do produto tóxico encontrado nos lotes contaminados. “Esse líquido circula pelos tanques de cerveja, a princípio, sem contato com a bebida. Essa amostra comprovou se tratar de monoetilenoglicol e dietilenoglicol."
A Polícia Civil e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) retornaram à sede Backer, no bairro Olhos D’Água, região Oeste de Belo Horizonte, na manhã desta terça-feira, para inspecionar a engenharia dos tanques utilizados na produção de cerveja.
