Por Itasat
Quando a reportagem da Itatiaia vai à Rodoviária de Belo Horizonte para acompanhar o desembarque de alguns passageiros, o desabafo é único.
O passageiro Ramon Amâncio veio de Abre-Campo pela BR-381, que é o caminho de volta do litoral capixaba para a capital mineira. Ele, que fez uma viagem a trabalho e poderia descansar durante o trajeto, não conseguiu por causa de tantos buracos na pista.
“A estrada está ruim, mas está até vazia. Bloqueia as pessoas arrumando o asfalto, isso aí é todo ano, chuva após chuva e não resolve. Depois de João Monlevade naquela BR nova que está pior, já chegando em Ravena. Ali está pior. É ruim, porque a viagem acaba alongando pra quem está cansado vindo do trabalho”, desabafou.
E se tem gente que fica chateado, como o Ramon Amâncio, que a gente acaba de ouvir, outros até entendem que, com chuva, não dá pra fazer muitas obras. É o caso da dona Aparecida, que desceu do ônibus em uma viagem vinda de Carangola, também nesta rota da BR-381. Ela contou como foi a situação.
“Estrada péssima, buraco puro e muito longe, muito ruim. Tem como descansar não”, disse Aparecida.
Segundo o motorista de ônibus, José Carlos Vieira, que faz viagens de Belo Horizonte para o litoral capixaba, é um buraco só daqui até lá.

“O trajeto da gente é 65 quilômetros de Realeza até Caratinga. De Caratinga, a gente pega via Raul Soares para sair em Rio Casca, para pegar a 381 outra vez”, contou.
Ainda de acordo com José Carlos, uma viagem de BH até a cidade mineira de Manhumirim levava em torno de oito horas. Agora, está na faixa de 10 a 12 horas de duração.
“É um trajeto três horas a mais pra gente e roda na faixa de uns 100 quilômetros a mais. O problema é só em Abre-Campo. Consertou, acabou. Nem mexe lá também. Arrancou o asfalto todo, fez um desvio, mas só pra carro pequeno. Carro grande, jamais. Os caminhoneiro estão sofrendo mesmo”, concluiu o motorista.