O número de casos de dengue em Minas Gerais, neste ano, pode superar o de 2016, que teve a maior epidemia da história. Mas por que o Brasil não consegue conter o vírus transmitido pelo Aedes aegypti? Em entrevista, o médico Drauzio Varella falou sobre a politica de combate à doença no Brasil, sobre o risco de saúde pública provocado por desastres, como os rompimentos das barragens em Mariana e Brumadinho, e sobre a segurança da indústria alimentícia brasileira, que ficou em evidência com a contaminação das cervejas da Backer por dietilenoglicol. Drauzio ainda defendeu o Sistema Único de Saúde (SUS) e disse que o Brasil está em um caminho perigoso na área.
Fim do SUS?
"Ninguém tem coragem de fazer uma coisa dessa, é igual você querer acabar com o Bolsa Família. Sem o SUS é a barbárie. Mais de 150 milhões de pessoas dependem exclusivamente do sistema. Não pode acabar! O que acontece é que se corta verba daqui, aperta ali, não repõe funcionários, você vai enxugando os recursos para o SUS que já são muito precários. Nós estamos em um caminho perigoso, eu acho".
Controle da dengue
"Acho que o Brasil não consegue [controlar a doença] dadas as caracterísiticas das nossas cidades e do clima, evidentemente é um país que tem tudo para o mosquito proliferar. Verão superquente, chuvas, água empossada em todos os lugares e cidades que foram sendo construídas quase que ao acaso, sem obedecer a nenhum planejamento".
Desastres ambientais em Minas
"Hoje vejo medidas para acabar com as barragens. Eu fico feliz, lógico. Fico pensando por que agora? Não tiveram tempo? São companhias milionárias. Não tiveram tempo de fazer isso antes? Você imagina descendo aquele mundo de terra, inundando as cidades, os rios e tudo, evidentemente, coloca a população sob o risco de muitas doenças, entre elas as arboviroses e hepatite A, que se dissemina pela água contaminada".
