Uma reunião da Associação Brasileira da Cerveja Artesanal (Abracerva) discutirá nesta quarta-feira o atual momento do setor no país devido às investigações da Polícia Civil (PC) sobre contaminação por dietilenoglicol em bebidas da Backer. Em Minas, há quatro casos confirmados de intoxicação pela substância e 26 suspeitos; seis pessoas morreram.
“É uma reunião extraordinária. Vamos debater os aspectos regulatórios envolvidos. Possíveis causas e também possibilidades de aperfeiçoamentos da legislação, além de análise dos impactos no mercado”, explica o presidente da Abracerva, Carlo Lapolli.
Segundo o presidente do Sindicato e Associação Mineira da Indústria de Panificação (Amipão), Vinicius Dantas, o caso Backer tem provocado redução nas vendas das cervejas artesanais de outras marcas. Em alguns estabelecimentos a queda chega a 65%. “Foi uma perda lastimável. Sentimos muito”.
O dietilenoglicol foi encontrado em 32 lotes das cervejas Belorizontina, Capixaba, Capitão Senra, Pele Vermelha, Fargo 46, Backer Pilsen, Backer D2, Corleone e Backer Trigo.

Divergência de laudos
A Backer informou nessa terça-feira (4) que laudos realizados pela PC e pelo Departamento de Química da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) apontaram que a água utilizada pela empresa para a fabricação das cervejas não está contaminada com monoetilenoglicol ou dietilenoglicol.
Os laudos contradizem o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que recolheu amostras em tanques da fábrica e, no dia 15 de janeiro, divulgou ter encontrado monoetilenoglicol e dietilenoglicol na água analisada.
No dia 9 de janeiro, a PC coletou, na sede da Backer, amostras de 30 ml da água que estava do lado externo do tanque de refrigeração. De acordo com a instituição, na porção analisada, não foi encontrado nenhuma substância diferente.
“As análises realizadas no material descrito no item A [amostra de água coletada do tanque de refrigeração] não detectaram a presença de álcoois ou outras substâncias químicas de interesse criminalístico”, conclui o relatório da PC.
No entanto, a instituição informou que não vai comentar a interpretação da Backer quanto ao laudo.
Ainda de acordo com a Backer, o Departamento de Química da UFMG chegou à mesma conclusão da PC quanto a não contaminação da água no processo de fabricação das cervejas. O laudo é datado de 17 de janeiro, ou seja, seis dias após o relatório expedido pela polícia: “Através dos resultados obtidos não foi possível detectar os analitos MEG (monoetilenoglicol) e DEG (dietilenoglicol) nas amostras de água analisadas”
O monoetilenoglicol e o dietilenoglicol foram encontrados pela PC em amostras de 175 ml de solução refrigerante coletada do tanque do sistema de refrigeração dos tanques de fermentação. Já o monoetilenoglicol foi encontrado em 25 ml do líquido contido em uma bombona de metal com a inscrição “monoetilenoglicol”. No entanto, segundo a Backer, nestes dois locais são realmente onde ficam as substâncias no processo de refrigeração das cervejas.
“A Backer reforça que o monoetilenoglicol é utilizado somente na parte externa dos tanques de fermentação e maturação da cerveja, etapas que são posteriores ao resfriamento do mosto. O trocador de placas não participa desse processo”, diz a Backer em nota.
“A empresa utiliza um pré-trocador menor de água, na temperatura natural, e depois o trocador normal, que usa apenas água gelada. Com esse sistema, a cervejaria consegue resfriar o mosto sem precisar usar o líquido refrigerante ou um trocador de dois estágios. Em momento algum, a Backer usa monoetilenoglicol ou qualquer outro líquido refrigerante, que não seja a água pura, para fazer a troca térmica desse sistema”, completou a empresa.
