Por Itasat
A decisão da Igreja Católica de suspender missas em razão da pandemia do novo coronavírus pode ter evitado mais de 100 mortes no Brasil. É o que aponta o estudo estimativa do impacto do grau de distanciamento social no número de casos de e óbitos decorrentes da covid-19 desenvolvido por pesquisadores do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG) em parceria com a Sociedade Brasileira de Cientistas Católicos (SBCC).
Conforme o estudo, as medidas tomadas pela Igreja Católica reduziram em 2,6% no número de mortes e em 9,7% os casos da doença no Brasil. Em números absolutos, são 125 mortes evitadas, considerando de 21 de março até hoje.
O Grupo de Pesquisa em Modelagem de Problemas Biológicos usou um modelo matemático chamado SIR para estimar os efeitos do isolamento, considerando entre as variáveis o número de pessoas suscetíveis à doença, os imunes e o público estimado nas celebrações. Além disso, os responsáveis usaram os números da doença divulgados pelo Ministério da Saúde e do Censo do IBGE.
O ajuste no modelo SIR gerou informações sobre número de pessoas suscetíveis (S) à doença, com as infectadas (I) e as recuperadas (R). Os pesquisadores ampliaram a fórmula e criaram o modelo STIRM, que além das três variáveis, inclui ainda as pessoas que estão e as que não estão em isolamento social (chamadas de S e T) e acrescenta a classe das pessoas mortas pela epidemia (chamada de M).
“Se esses indivíduos que ficaram isolados apenas pela suspensão das missas mantivessem suas atividades normais, a gente teria um aumento de 9,7% no número de infectados, o pico da doença seria maior e teríamos também aumento no número de mortos pela epidemia em torno de 4,5% em relação ao caso normal. A gente obteve esse resultado fazendo um ajuste no nosso modelo aos dados reais de infectados e mortos no Brasil nesse período, desde as suspensões das missas (21 de março) até o dia de hoje”, explica o professor do departamento de matemática do Cefef-MG Rodrigo Cardoso.
De acordo com o professor, a redução de contatos semanais entre os fiéis que participam das missas nos domingos chegou a 20%.
